A parábola de Roger Waters – Blog Combate Rock

Decio Trujillo *

Roger Waters (FOTO: DIUVLGAÇÃO/FACEBOOK)

No Novo Testamento, a parte cristã da Bíblia, Jesus usa do recurso das parábolas para se fazer entender. Ele conta pequenas histórias que contêm um conceito ético ou moral profundo e que, ao final, passam uma mensagem. É um recurso retórico para levar princípios sofisticados a gente simples.

São muitas, como a do filho pródigo, do bom samaritano ou do juiz injusto. O nome vem da geometria, mais ou menos como se você tivesse que desviar-se da linha reta da narração para chegar ao ponto que deseja.

O que aconteceu no show do Roger Waters também é uma parábola sobre grande parte dos eleitores de Bolsonaro. O sujeito conhece a obra, que tem quase 50 anos, mas não faz ideia do que seja. Ela apenas entra em seus ouvidos.

Ele nunca se deu ao trabalho de procurar uma tradução no Google para saber do que trata nem leu um texto sobre as posições políticas de Roger Waters. Apenas paga R$ 400 para ir ao show e se surpreende com o que descobre.

Essa pessoa é assim na vida pessoal e foi assim que escolheu Bolsonaro. Não estuda, não lê, informa-se pelo WhatsApp, tem preguiça de se aprofundar, repete a música mecanicamente: kit gay, Venezuela, arma na cintura, Luladrão, Mito!, Mito!, Mito!

Lá na frente, na hora do show, vai ver que jogou seu dinheiro fora, que seu pensamento foi controlado, que é só mais um tijolo na parede.

* Décio Trujillo é jornalista, foi editor-chefe do extinto Jornal da Tarde, entre outros veículos, e integrante da equipe original do Combate Rock

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